“A Oftalmologia está no topo do que se faz em medicina em todo o mundo”

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OftalPro: A que subespecialidade se dedica de modo mais ativo?

David Martins: À cirurgia vítreo-retiniana. Trata-se de um sonho e de um desafio. Um sonho, porque quando estava a aprender com o professor Ferraz de Oliveira, o nosso serviço incluía obviamente as cirurgias de descolamento de retina com a técnica clássica e, a determinado momento, assisti a uma conferência onde se apresentavam respostas para solucionar descolamentos de retina e muitos outros problemas que nos surgiam para resolver no hospital e para os quais nem sempre tínhamos resposta.
Fui para Londres recolher todo o conhecimento e depois implementei este tipo de cirurgia no nosso serviço, no Egas Moniz. Atualmente, temos a grande vantagem de podermos contar com reuniões internacionais onde há trocas de ideias, de experiências, onde aprendemos uns com os outros, mas a década que vai de ‘90 a 2000 foi muito pobre em conferências, eram raríssimas. Lembro-me de ir a Londres para me aconselhar, para melhorar, para aprender mais. Foi um período de grande “sofrimento”, de grande angústia, pois não existiam muitas pessoas com quem podíamos partilhar problemas. Agora é completamente diferente. Esta subespecialidade constitui um desafio constante, é multifacetada e com avanços extraordinários. Continua a fascinar-me tanto como no primeiro dia em que com ela tive contacto.

OF: Dedica-se igualmente à Oftalmologia de Campanha, tendo participado em missões em África. Porquê esta sua atitude de cariz social?

DM: Olhe, mais uma vez tudo se deveu ao professor Ferraz de Oliveira, que era uma pessoa muito preocupada com os outros. Era sonho dele ir colaborar com os países de expressão portuguesa. Através da Gulbenkian implantámos as missões africanas e, de facto, estive em Cabo Verde e na Guiné com uma equipa inteira. Fazíamos de tudo, fizemos milhares de consultas, prescrevíamos os óculos e também éramos nós que os dávamos aos pacientes.

OF: Em relação ao resto do mundo, que diferenças encontra entre a Oftalmologia que se pratica por lá e a que se faz em Portugal?

DM: A medicina em geral e a Oftalmologia estão no topo do que se faz em medicina em todo o mundo. Percursos como os dos exímios Ferraz de Oliveira, Cunha-Vaz, Castro Correia, Ribeiro da Silva e Castanheira-Dinis são absolutamente incontornáveis. Estamos na linha da frente e vejo com muita satisfação jovens oftalmologistas a abraçar a profissão, delineando já um percurso de qualidade e de excelência.

Leia a entrevista na íntegra na OftalPro 18

16 Julho 2012
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