“A Oftalmologia portuguesa devia ser vista com melhores olhos”

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Durante a entrevista, ficámos a conhecer melhor a sua vida e o seu fascínio pelo mundo da cirurgia ocular.

OftalPro: Porquê a sua dedicação à Oftalmologia?

João Paulo Sousa: A esta pergunta respondo muito diretamente: foi pelo interesse pessoal que eu tinha desde muito novo pela micro cirurgia.

OF: E como surgiu a sua entrada no mundo da cirurgia oftálmica?

JPS: Quando acabei os estudos em Oftalmologia, optei pela especialidade em cirurgia oftalmológica. Portanto, a minha entrada surgiu por consequência dessa escolha, fui andando e alcancei essa meta que era de meu agrado. O que me fez continuar foi o ‘feedback’ que tinha por parte dos doentes, porque os mesmos diziam-me que ficavam bem e isso, para mim, sempre foi fundamental, o facto de os pacientes elogiarem o trabalho que eu fazia. No meu ponto de vista, a melhor avaliação que se pode fazer ao trabalho de um médico é através dos doentes, e não pelos colegas de trabalho, pelos políticos, pela nossa família… e se os doentes me dizem que estão bem e que ficaram bem após a cirurgia, isso para mim é gratificante.

OF: Como descreve o estado da cirurgia oftálmica na atualidade, em Portugal?

JPS: É muito difícil responder a esta pergunta, porque a Oftalmologia não está separada do resto do estado atual do país. É difícil poder falar sobre isto, pois eu não quero ser mais otimista ou pessimista que a actualidade do país. A Oftalmologia está a ser muito afetada, vou dar um exemplo: eu posso fazer Psiquiatria debaixo de uma árvore, sentado mesmo no chão e com o doente à minha frente, sem precisar de recursos para o fazer. Em Oftalmologia, basta desligar a corrente elétrica, e eu não consigo fazer nada. Ou seja, a minha dependência tecnológica é brutal, enquanto que noutros ramos a dependência não existe. O psiquiatra tem que ter muitos conhecimentos, tem que estudar muito, ler muito, saber lidar com os pacientes, saber a maneira mais correta de lhe fazer certas perguntas, já o médico oftalmologista é muito técnico, pois sem luz, sem tecnologia, sem equipamentos, não conseguimos fazer nada, ou seja há uma dependência brutal do investimento por parte do Estado… e do jeito que isto está é impossível saber se agora estamos estáveis e amanhã já estamos tremidos ao nível de recursos para continuar a exercer bons cuidados médicos em oftalmologia.

Leia a entrevista na íntegra na OftalPro 22.

 

7 Agosto 2013
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