Jorge Breda sempre esteve “muito cedo envolvido no ambiente das doenças oculares”

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Jorge Breda, responsável pela Unidade de Oftalmologia Pediátrica e Estrabismo do Serviço de Oftalmologia do Hospital de S. João, no Porto, contou-nos como começou a sua “história em Oftalmologia”, há já 35 anos.

“A minha história em Oftalmologia começou em 1979. Tinha acabado de cumprir o Serviço Médico à Periferia, durante um ano, no concelho de Montalegre. Era desde 1975 assistente da cadeira de Histologia e Embriologia da Faculdade de Medicina do Porto, onde dava aulas e colaborava numa atraente linha de investigação na área da observação ao Microscópio Eletrónico do desenvolvimento pré-natal da glândula suprarrenal do rato. O diretor do Serviço de Oftalmologia era o professor Silva Pinto e tinha sido o anterior diretor do Serviço de Histologia. Encarei a possibilidade de fazer um percurso semelhante, já que eu era filho de um oftalmologista e, portanto, desde muito cedo envolvido no ambiente das doenças oculares. Por esse motivo, atraiu-me também passar da Histologia para a Oftalmologia. Comecei pelo Estrabismo, que era um ramo da Oftalmologia muito caro ao professor Silva Pinto, que tinha fundado a primeira Escola de Ortótica existente em Portugal e tinha montado no Serviço uma Secção de Estrabismo, independente, que inclusivamente tinha uma entrada própria identificada nas paredes de pedra do Hospital. Era uma grande inovação.

Fiz exame final de conclusão da especialidade em janeiro de 1984 e o professor Castro Correia, que era o novo diretor, colocou-me na Secção de Estrabismo, onde eu tinha começado e que na realidade tinha frequentado durante todo o internato. Na Faculdade de Medicina mudei também de Serviço, passando de assistente de Histologia para assistente de Oftalmologia. Em 1986, fui para o Instituto de Oftalmologia da Universidade de Londres, anexo ao Moorfields Eye Hospital. Regressei em 1987, sem ter cumprido o motivo essencial pelo qual tinha para lá ido, que era fazer estudos experimentais para elaborar uma tese de doutoramento. Mantive-me sempre a trabalhar exclusivamente em estrabismo, mas a certa altura começámos a ter na Secção crianças com outras patologias para além do desvio ocular, já que os colegas do Serviço nos remetiam os mais pequenos por estarmos mais habituados a lidar com esse grupo etário.

Entretanto, no início dos anos ‘90, eu tinha ficado responsável pela Secção, já que o doutor Coimbra de Matos tinha decidido sair do Serviço. Foi então que tive a ideia de montar uma Consulta de Oftalmologia Pediátrica, que foi a primeira existente num Serviço de Oftalmologia em Portugal e que, mais tarde, se fundiu com a de estrabismo e se constituiu a Unidade de Oftalmologia Pediátrica e Estrabismo do Serviço. Hoje, ocupamos um espaço próprio dentro do Serviço, com cinco gabinetes de observação e duas zonas de espera. Temos apoio administrativo individualizado. Dispomos de dois dias por semana de Bloco Operatório com Anestesia Geral e somos seis médicos a fazer Oftalmologia Pediátrica e Estrabismo. Além disso, apoiamos a Maternidade de Júlio Dinis, deslocando um médico todas as semanas para observar os prematuros e tendo uma linha aberta à segunda-feira para receber todos os prematuros que tiveram alta dos Serviços de Neonatologia.”

Leia a entrevista na íntegra na OftalPro 25, aqui.

21 Outubro 2014
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