Sistema visual: como detetamos animais perigosos

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O sistema visual de humanos e primatas evoluiu especificamente de uma forma que facilita a escolha de animais perigosos.

A deteção preferencial de répteis parece também ocorrer quando estas pistas não são visíveis de forma consciente, tal como verificado num estudo conduzido por investigadores da Universidade de Aveiro e do ISPA – Instituto Universitário, publicado em 2018 na revista Emotion.

Nesta experiência, através de uma técnica laboratorial específica, as imagens relevantes para a tarefa eram apresentadas de forma muito gradual a apenas um dos olhos, enquanto imagens concorrentes e mais dominantes eram apresentadas ao outro olho. Assim, numa fase inicial, apenas as imagens concorrentes eram visíveis pelos participantes.

Com o decorrer do tempo, as imagens relevantes iam-se tornando mais visíveis até que finalmente acediam à “consciência visual”. Os participantes eram então instruídos a indicar, o mais rapidamente possível, o momento a partir do qual conseguiam visualizar as imagens ou partes das imagens relevantes.

Outro aspeto importante deste estudo passou pela manipulação do nível de detalhe das imagens. Os investigadores verificaram que, nas condições que proporcionavam menor detalhe visual, as imagens de répteis eram mais rápidas a aceder à “consciência visual” do que as imagens de animais inofensivos (pássaros).

Como tal, os resultados do estudo sugerem que o nosso sistema visual não requer detalhes finos para que os répteis sejam detetados mais rapidamente, de forma consciente, bastando receber informação grosseira, mas sugestiva da presença deste predador, como é o caso de imagens desfocadas com a forma curvilínea de uma cobra.

As muitas investigações nesta área apontam consistentemente para uma deteção preferencial de pistas visuais que sinalizam a presença de uma cobra no ambiente, o que vai ao encontro de alguns dos argumentos da Teoria da Deteção das Cobras.  

O estudo da deteção destes predadores parece ter contribuído para a investigação e compreensão dos fenómenos visuais da espécie humana.

A investigação em causa tem também um papel fundamental do ponto de vista da Psicopatologia, visto que muitas das perturbações mentais são caracterizadas por desregulações específicas nos sistemas de deteção e de resposta de ameaça, como é o caso da esquizofrenia e das perturbações de ansiedade.

7 Maio 2021
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