“O que é relativamente novo é o reconhecimento dos sintomas produzidos pela disfunção propriocetiva”

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O cartão de visita do especialista em Síndrome de Deficiência Postural é extenso. Em entrevista à OftalPro, Orlando Alves da Silva, professor fundador da cadeira de Motricidade Ocular e Propriocepção da Escola Superior de Ortóptica, relembra-nos a importância de deixar “pessoas treinadas para diagnosticar e tratar a SDP”.

Intervém com dinamismo nas áreas do estrabismo e da postura. Que particularidades têm estas áreas da oftalmologia?

Quer o estrabismo quer a postura têm um âmbito que ultrapassa os limites do globo ocular. As duas valências têm em comum a motricidade ocular. O pensamento do profissional que se ocupa destas áreas tem de alargar-se até ao cérebro. No caso da postura tem de ir ainda mais além, tem de estender-se ao sistema propriocetivo e às suas conexões neuro sensoriais e percetivas.

Quais os cursos de SDP lecionados por si e a sua importância para os profissionais de saúde?

Algumas das formações que tenho realizado passam por exemplo pelos Estados Unidos, curso que foi creditado pela autoridade Americana de Saúde e que permitiu a esses profissionais terem créditos oficialmente validados. Está neste momento a decorrer um curso em inglês de seis meses para profissionais de saúde e que terminará em janeiro. Tem alunos dos Estados Unidos da América, Canadá, Brasil, Inglaterra e Austrália. Fiz também dois cursos para o Brasil, um dirigido a oftalmologistas para diagnóstico e tratamento da SDP e outro para oculistas destinado a ensinar-lhes as características a que tinham de obedecer na montagem das lentes prismáticas ativas a prescrever pelos seus oftalmologistas.

Desde a última entrevista que deu à OftalPro, em 2012, o que mudou na oftalmologia em Portugal, em particular nas áreas do estrabismo e da postura?

Na área do estrabismo, tudo mudou para pior. A percentagem de oftalmologistas interessados em estrabismo diminuiu drasticamente. Chegou-se ao ponto de haver penúria de estrabologistas nos hospitais centrais. Quase não tem havido congressos internacionais de relevo em Portugal. Mas isto não é característico de Portugal, os novos oftalmologistas sentem maior vocação para outras áreas específicas da oftalmologia. Quanto à postura, houve tempos em que eu temi que quando eu deixasse de trabalhar nesta área, os oftalmologistas portugueses teriam de ir especializar-se em propriocepção oftalmológica no estrangeiro, junto dos meus alunos dos diversos países do Mundo, que comigo vieram estagiar e aprenderam comigo ao longo dos anos. Hoje já não há esse risco. Em termos internacionais a posturologia está em todos os continentes, a Austrália foi o último, mas chegámos lá este ano. A formação que fizemos em Singapura foi determinante.

Entrevista completa na revista OftalPro 54.

10 Janeiro 2022
Entrevistas

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