“Este livro é reflexo do respeito e gratidão pelas crianças que acompanhamos”

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A parentalidade e pedagogia foram o catalisador para o nascimento de uma obra “útil”, onde se pudesse abordar o tema da utilização de óculos nas crianças e o tratamento da ambliopia. As médicas Rita Couceiro e Joana Portelinha são as autoras do livro infantil “Os Óculos Mágicos”, uma obra que contou com a ilustração de Natalina Cóias e que procura “criar uma estória com a qual as crianças se possam identificar”.

Para tudo há sempre um ponto de partida. Como e quando surge a obra “Os Óculos Mágicos”?

Rita: Em 2020 criámos uma página nas redes sociais chamada Oftalmo Júnior, com o objetivo de informar o público em geral sobre saúde visual infantil. Com uma linguagem apelativa e simples, tentamos abordar temas como estrabismo, ambliopia (o chamado “olho preguiçoso”) ou erros refrativos, tornando a informação facilmente acessível aos pais. Do entusiasmo com este projeto nasceu a vontade de chegar também até às crianças, a quem realmente se destina todo o nosso trabalho na prática clínica.

Joana: A ideia de escrever o livro e o esboço da estória surgiram quase há um ano atrás numa conversa entre as duas. Pensámos que podia ser giro, mas principalmente útil, escrever um livro infantil que abordasse o tema da utilização de óculos nas crianças e o tratamento da ambliopia. Apercebemo-nos que não havia nada semelhante na literatura disponível. Como temos filhos pequenos, a quem lemos diariamente muitas estórias, estamos bastante por dentro da literatura infantil e percebemos a importância dos livros na vida das crianças, assim como o impacto que podem ter nos seus comportamentos. 

Porquê falar do “olho preguiçoso”? Guie-nos um pouco pelas páginas deste livro…

Joana: A ambliopia, ou “olho preguiçoso”, é a principal causa de visão reduzida nas crianças. O seu diagnóstico e tratamento são essenciais para a recuperação da visão, que só é possível nos primeiros anos de vida (idealmente até aos 7-8 anos), tendo maior sucesso quanto mais precocemente for detetado e tratado. O tratamento implica estimular o olho preguiçoso e isso consegue-se através da oclusão do olho bom, com um penso ou oclusor de tecido ou borracha. É um tratamento moroso e nada agradável, por isso é de difícil aceitação pelas crianças, com uma grande taxa de não cumprimento e abandono! O livro conta a história do António que era um menino com algumas dificuldades na escola e no dia a dia e que depois de ir à consulta de oftalmologia experimenta uns óculos mágicos que o fazem ver melhor e utiliza o penso para treinar o seu pior olho. Com a ajuda e carinho dos pais, no final percebe que valeu a pena. Nas últimas páginas do livro temos alguns conselhos para os pais e uma atividade para as crianças. O livro procura criar uma estória com a qual as crianças se possam identificar. Falar e ler estórias sobre os assuntos que elas estão a vivenciar, ajuda-as a compreender melhor e a colaborar melhor. Todos conhecemos livros sobre o desfralde, livros sobre a entrada na escola, etc., e foi essa a nossa ideia.

Escrever um livro ultrapassa o prazer do exercício da medicina pediátrica?

Joana: Sem dúvida. Foi uma experiência muito boa. Adorámos o resultado final com as ilustrações maravilhosas da Natalina Cóias. E é bom sair da nossa zona de conforto e fazer outras coisas que podem ter um impacto positivo nas crianças que seguimos em consulta.

Rita: Este livro é por isso também um reflexo do nosso respeito e gratidão pelas crianças que acompanhamos e pelas suas famílias. Esperamos que este livro possa trazer alguma alegria aos seus dias, assim como as crianças nos dão tanto ânimo para o nosso trabalho diário.

Leia a entrevista completa na OftalPro 57, já disponível online.

4 Julho 2022
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