“A oftalmologia é uma especialidade muito bonita e gratificante”

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Quem o diz é Andreia Rosa, médica oftalmologista no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) e na Unidade de Oftalmologia de Coimbra (UOC). Licenciada em Medicina, pela Faculdade de Medicina de Coimbra desde 2003, dedica-se atualmente às áreas da córnea e cirurgia refrativa. Fez o doutoramento em 2017 e hoje a oftalmologia é uma parte muito significativa da sua vida. A OftalPro foi conhecer esta médica oftalmologista que vê a oftalmologia como uma especialidade “muito bonita e gratificante”.

Sempre quis ser médica oftalmologista?

Não. No 10º ano fui para artes, mas depois mudei para ciências e escolhi medicina. Quando escolhi a especialidade voltei a ter aquela angústia de quem gosta de várias áreas e tem que escolher apenas uma, sabendo que vai perder o contacto com uma grande parte da profissão.

Dedica-se essencialmente à córnea e cirurgia refrativa. Porquê essas áreas?

Lá está, durante o internato fiz estágios fora do país em retina médica e uveítes. Quando estive no Moorfields, acabei por fazer também estágio de córnea. No fim da especialidade, tive a oportunidade de integrar a equipa de córnea e cirurgia Refrativa do CHUC, onde já tinha ficado a trabalhar nos últimos meses do internato. Na altura, essa equipa era constituída pelo Prof. Murta, pela Profª Maria João Quadrado e pela Drª Cristina Tavares. Fui muito bem recebida e acarinhada, pelo que nem pensei mais noutras áreas!

Tem sido distinguida com alguns prémios individuais e coletivos. Como avalia o impacto destes reconhecimentos na área da oftalmologia? E que significado têm para si estes prémios?

Os prémios são uma forma de reconhecimento do bom trabalho que se faz, embora também haja imenso trabalho de grande qualidade e dedicação que nunca é premiado, naturalmente. Os prémios que recebi ajudaram essencialmente a abrir portas, quer em termos de reconhecimento de uma determinada equipa, quer em termos de financiamento para investigação. Mostram que estamos ao nível do que melhor se faz em termos internacionais, ao sermos reconhecidos como o melhor trabalho publicado no prestigiado Journal of Cataract and Refractive Surgery em 2017 – o prémio Obstbaum, por exemplo.

Finda agora o mandato na coordenação do CIRP. Que balanço faz dessa coordenação?

Muito positivo. Gostei muito de trabalhar nesta vertente de coordenação com a Drª Esmeralda Costa (coordenadora do GPSOCC), com o presidente da SPO, Prof Rufino Silva, com a  comissão central (Fernando Trancoso Vaz, Pedro Menéres, Manuel Falcão, Lilianne Duarte, Ana Vide-Escada e Ana Magriço) e com os colegas que constituem o nosso grupo de trabalho da CIRP – João Costa, Sérgio Azevedo, Carolina Abreu, Sílvia Monteiro, Arminda Neves, Pedro Gil, Maria do Céu Pinto, Ivo Silva, Ricardo Araújo, Margarida Estrela-Rego e Teresa Pacheco. Juntos, organizámos um congresso quando ainda não se sabia se os congressos seriam autorizados (devido à pandemia), webinares, simpósios, cantinhos de vídeo, da fotografia, criámos, e estamos a criar, material didático na página da SPO. Estamos ainda a ultimar a parte prática do programa PECIR, iniciado pela anterior direção, porque as boas ideias são para alimentar e ajudar a crescer.

Existem hoje em dia múltiplos canais de comunicação, no entanto as doenças visuais aumentam em todo o mundo exponencialmente. O que pode ser feito em Portugal para quebrar ou minimizar esta tendência? O que ainda falta fazer em Portugal a nível de cuidados de saúde visuais?

Como sempre digo aos meus doentes, a melhor forma de ter uma boa visão é manter-se saudável. A prioridade, a meu ver, passa por controlar o aumento galopante da diabetes em Portugal, combater a obesidade, nomeadamente a infantil, e promover com campanhas simples e diretas os hábitos de vida saudável. Também é fundamental que se façam exames oftalmológicos de rotina, os rastreios adequados a cada patologia e que haja um acesso atempado aos cuidados de saúde oftalmológica.

Que mensagem gostaria de deixar aos jovens colegas?

Que apesar das dificuldades de quem opta por uma área pouco abordada durante o curso de Medicina, a oftalmologia é uma especialidade muito bonita e gratificante. A nossa formação é muito boa e facilmente trabalhamos em qualquer país. É fundamental estudar e saber o porquê das coisas, bem como manter sempre um espírito crítico e curioso.

Leia a entrevista completa na OftalPro 57.

8 Julho 2022
EntrevistasOftalmologia

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