“Ainda há espaço para melhoria da rede de colheitas de córneas”

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Maria João Quadrado é consultora da “Ocular Tissue Donation and Transplantation” no Instituto Português do Sangue e Transplantação (IPST) e falou com a OftalPro sobre o estado atual de transplantes da córnea em Portugal. De acordo com a médica oftalmologista, “Portugal acompanhou os níveis de excelência que os padrões científicos nos impõem”, no entanto, “ainda há um espaço para melhoria da rede de colheitas de córneas em Portugal”.

Que avanços têm sido feitos em Portugal, relativamente aos transplantes de córnea?

Sem dúvida que as técnicas de transplantes lamelares e sua execução diária em vários centros do país têm evoluído. Por outro lado, verificou-se uma melhoria significativa da consciência da patologia ocular e possíveis tratamentos. A literacia em saúde tem vindo a melhorar paulatinamente em Portugal. Um doente consciente e sabedor da sua condição é sempre um doente mais cumpridor e vigilante. Isto é fundamental no controlo dos doentes transplantados.

Em comparação com outros países da Europa, em Portugal ainda há muito caminho para “desbravar”?

Ainda há um espaço para melhoria da rede de colheitas de córneas em Portugal, aumentando a rede de colheita pública e privada. O maior volume de colheita, a centralização dos protocolos e a Sala de Cultura de Tecidos poderão transformar Portugal num país autossuficiente.

O que falta ainda fazer nesta matéria?

Creio que seria importante uma melhoria na rede de referenciação dos transplantes, principalmente no que se refere aos casos mais urgentes. As atuais redes de referenciação e os serviços de urgência disponíveis para os casos urgentes não contemplam a capacidade de resposta dos centros aplicadores. Por outro lado, parece-nos importante a centralização do processamento de tecidos oculares, levando a otimização da técnica e à diminuição dos custos relativos ao equipamento. Os atuais métodos de colheita e preparação dependem da existência de recursos humanos e equipamentos locais, multiplicando dificuldades e custos. A centralização de alguns procedimentos, nomeadamente no que respeita ao processamento de tecidos, leva a benefícios técnicos e económicos, salvaguardando os melhores padrões. O Registo Único de Transplantação vai permitir a recolha e organização de evidências em relação aos resultados. Vai permitir englobar todos os centros de transplantação, a avaliação da qualidade de vida, avaliação clínica em larga escala e a sustentabilidade da transplantação.

Entrevista completa na OftalPro 59.

7 Dezembro 2022
Entrevistas

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