“No glaucoma a idade é um dos principais fatores de risco”

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O Serviço de Oftalmologia do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte (CHULN) está a inovar no rastreio do glaucoma com a aplicação de um modelo assente na Inteligência Artificial (IA). Falámos com Walter Rodrigues, diretor do Serviço de Oftalmologia do CHULN, para sabermos um pouco mais sobre a atual aplicação do software MONA.

Como surgiu a oportunidade de trabalhar com a Mona? 

O Serviço de Oftalmologia do Santa Maria tem tradição nas suas ligações com hospitais europeus, desde Manchester a Lovaina, desde linhas de investigação científicas a parceria em doutoramentos. É neste contexto de integração com parceiros internacionais que surge esta parceria. 

De que forma este programa de Inteligência Artificial (IA) revoluciona o rastreio do glaucoma? 

A literatura é consensual que as tecnologias atuais (os nossos instrumentos) são boas a detetar a doença. No entanto, por ser uma doença relativamente pouco frequente na população e dada a escassez de meios, não era custo-eficaz fazer rastreios. Ao tornar relativamente acessível a possibilidade de diagnóstico, poderemos tentar aumentar a taxa de deteção de doentes na comunidade. Isso é talvez uma das maiores preocupações, uma vez que – dado o cariz silencioso da doença – se estima que cerca de 50% dos doentes com glaucoma não sabem que a têm. 

No fundo, é a possibilidade com a realização de um exame relativamente simples ter uma confirmação ou não do diagnóstico. Um dos desafios é que uma consulta de glaucoma consome muitos recursos (campos visuais, tomografias, entre tantos outros), muitos dos quais são usados para excluir a doença em indivíduos com uma suspeita. Esta simplificação de processos permite (em caso de resultado negativo) protelar investigações mais detalhadas, libertando recursos para os doentes que de facto precisam. Com vantagens para doentes e clínicos. 

O glaucoma é a principal causa de cegueira irreversível no mundo. Este programa poderá mudar isso? Como? 

Tentaremos minorar ao máximo os efeitos na população através do diagnóstico precoce. Contudo, dado o envelhecimento da população, o desafio é grande, uma vez que os potenciais doentes (o glaucoma é uma doença em que a idade é um dos principais fatores de risco) são cada vez mais. Mas o nosso objetivo será sinalizar os doentes que podem beneficiar de tratamento, tentando preservar o mais possível a qualidade de vida e empurrando o mais possível para idades mais avançadas a perda irreversível de visão. 

Entrevista completa na OftalPro 60.

28 Abril 2023
Entrevistas

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