“A verdadeira visão vem da mente”

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Quem o diz é Tarris Marie, autora estreante do livro Blaque Pearle e criadora artística, que foi diagnosticada com a doença de Stargardt aos 30 anos. Para ela o mundo é atualmente um espaço de “possibilidades infinitas” que lhe fez encontrar novos caminhos. O seu livro de estreia é o rosto de uma criadora artística que usa “fragmentos da vida, imaginação e experiências para contar histórias”.

Que mudanças esta condição (a doença de Stargardt) trouxe ao seu quotidiano? 

A minha vida mudou drasticamente porque tive de aprender a ver com novos olhos. Foi difícil adaptar-me no início, principalmente porque acordei uma vez de manhã e não conseguia ler as minhas mensagens de texto. Tive de ensinar a minha filha a ler com a minha lupa quando, três anos antes, eu lia para o meu filho com alegria e facilidade. Senti-me humilhada ao perder a minha carreira de 15 anos e ao ter de me adaptar a uma vida de deficiência física, emocional e financeira. 

Certamente que já vivenciou consequências positivas e negativas dessa experiência… 

Positivamente, Deus fechou a porta para uma carreira da qual pensei que me reformaria, mas abriu a minha mente para as mesmas possibilidades infinitas com que sonhei enquanto criança. Dessa forma, concentrei-me no que podia ver, em vez de no que não conseguia. Experimentei um aumento incrível no meu sentido de audição, que me permitiu sentir a música e ritmos de uma forma que nunca tinha notado antes. O meu olfato e tato foram aprimorados, e essa nova consciência ajuda-me a entrar em novos mundos, artisticamente.  

Utilizei o meu amor pelas artes, imaginação, experiências e outros sentidos para me tornar uma escritora. Fui para a escola de teatro e assinei contrato com a agência Page Parkes Talent em Houston, Texas. Mais importante ainda, posso inspirar outras pessoas a perseguirem as suas paixões, independentemente dos obstáculos colocados à sua frente. Embora tenha tido de passar por terapia ocupacional e psicológica para chegar até aqui, nunca me senti tão realizada.  

Negativamente, às vezes é uma pena não poder ver o que os outros veem, como assistir aos jogos de futebol dos meus filhos. Além disso, como a doença de Stargardt é progressiva, inicialmente tentei descobrir o que se passava comigo e, como minha doença é rara, precisei de vários “episódios” nos olhos antes de encontrar os médicos certos para ser corretamente diagnosticada. 

“Deus fechou a porta para uma carreira da qual pensei que me reformaria, mas abriu a minha mente para as mesmas possibilidades infinitas com que sonhei enquanto criança”

Atualmente está a escrever livros. Como se deu esse encontro com a escrita? 

Quando deixei a minha carreira, a minha dignidade estava tão destruída que me vi no chão da casa de banho, em depressão. Felizmente, ouvi Deus dizer-me para “me levantar e escrever um livro”. Isso foi há três anos. 

A sua carreira de escritora cruza-se com a de atriz. Qual é a sua principal inspiração? 

O meu objetivo é inspirar outras pessoas através do meu testemunho e da arte. Escrevo através das lentes de personagens imperfeitos, mas ferozes, nos genes combinados do crime e do romance feminino. Há dois anos, frequentei uma escola de teatro e fui contratada por uma agência de talentos. As audições que recebi são principalmente para trabalhos comerciais. 

Que mensagem gostaria de deixar aos leitores da nossa revista, os oftalmologistas portugueses? 

Para os leitores, a verdadeira visão vem da mente, o que significa que alguns de nós vemos com o tato, a audição e o olfato. Concentre-se no que a sua mente pode ver e não no que os seus olhos não podem. Além disso, façam a vossa própria pesquisa. Nunca deixem que ninguém tire a vossa dignidade. Encontre um médico que seja apaixonado pelo que faz e pelas vidas que afeta. Aos oftalmologistas, um sincero obrigado pelo que fazem. Vocês têm a capacidade não apenas de mudar vidas, mas de inspirar a humanidade.  

22 Abril 2024
Entrevistas

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