“A oftalmologia tem a virtude rara de nunca se esgotar”

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Ao longo de mais de três décadas de prática, o que o tem mantido inspirado na oftalmologia?

A oftalmologia tem a virtude rara de nunca se esgotar e existe nela algo de paradoxalmente fascinante: é altamente tecnológica, mas profundamente humana. Evolui tecnicamente, renova-se cientificamente e, ao mesmo tempo, permanece numa relação humana muito direta. O que me mantém inspirado é essa tensão fértil entre o progresso e o essencial, essa combinação entre a evolução científica contínua e o contacto diário com pessoas reais, com expectativas, receios e esperança. Como escreveu Miguel Torga, “o universal é o local sem paredes” — e é na singularidade de cada doente que a medicina reencontra, todos os dias, o seu sentido mais amplo.

Quais são hoje os maiores desafios no diagnóstico e tratamento das doenças oculares em Portugal?

Um dos grandes desafios continua a ser o diagnóstico precoce, sobretudo num país com uma população progressivamente mais envelhecida. Temos bons profissionais e tecnologia de qualidade, mas é essencial garantir tempo clínico, integração de cuidados e maior literacia em saúde ocular. A tecnologia é uma ferramenta extraordinária, mas nunca substitui o juízo clínico nem a escuta atenta. Vivemos um tempo singular na história da medicina, marcado por um notável avanço tecnológico e, simultaneamente, por desafios humanos cada vez mais complexos.

A estes desafios junta-se, de forma inevitável, a entrada da inteligência artificial no nosso quotidiano. Mas vejo esta evolução com entusiasmo. A tecnologia pode ajudar-nos a ver melhor; cabe-nos, enquanto médicos, garantir que continuamos a ver mais fundo. Recordo as palavras de Fernando Pessoa, quando escreveu que “o essencial é saber ver”. O verdadeiro desafio não será técnico, mas ético e cultural: usar a inovação para reforçar a relação humana, sem nunca abdicar do juízo clínico, da responsabilidade e da empatia que definem o ato médico.

A entrevista na íntegra está disponível na revista OftalPro 70.

1 Abril 2026
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