Estudo multicêntrico sobre terapia de luz vermelha de baixa intensidade em Portugal

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Por: José Salgado-Borges MD, PhD, FEBO (Diretor Clínico da Clinsborges); Catarina Mateus, PhD (Professora Coordenadora da Escola Superior de Saúde do Politécnico do Porto, Investigadora do RISE-Health@TBIO); e Carla Lança, PhD (Investigadora Associada, New York University Abu Dhabi)


A miopia tem vindo a aumentar a nível global, prevendo-se que mais de metade da população mundial seja míope até 2050. A terapia de luz vermelha de baixa intensidade repetida (RLRL) é uma opção não invasiva para o tratamento da miopia realizada em casa com um dispositivo que emite luz a 650 nm (3 minutos, duas vezes por dia, 5 dias/semana). Com mais de 2.000 crianças tratadas em paralelo em todos os estudos, a RLRL superou consistentemente todos os outros tratamentos de controlo da miopia em estudos comparativos, com um efeito ainda mais acentuado na miopia elevada

Esta evidência clínica indica diminuição do comprimento axial e, em alguns casos, encurtamento axial, mecanismo possivelmente associado a um aumento do fluxo e da espessura coroideia. Para avaliar o valor desta intervenção, está a decorrer um estudo europeu, prospetivo e multicêntrico, que acompanha durante 12 meses crianças entre os 8 e 13 anos sem tratamentos prévios de controlo da miopia, recrutadas em quatro países (França, Polónia, Portugal e Noruega). O protocolo inclui medições padronizadas do comprimento axial e refração, verificação de adesão através de registos eletrónicos do dispositivo e monitorização rigorosa de segurança, com especial atenção a sintomas após cada sessão. Os resultados primários centram-se na avaliação do comprimento axial e do erro refrativo; secundariamente pretende-se avaliar a tolerabilidade, eventos adversos e aceitabilidade familiar, gerando evidência complementar aos ensaios clínicos controlados.

Em Portugal, a equipa local é constituída por José Salgado-Borges e Catarina Mateus, em colaboração com os oftalmologistas pediátricos Cláudia Ferreira, Jorge Moreira, José Alberto Lemos, José Coimbra de Matos e Paulo Vale e os ortoptistas Anabela Borges, Inês Pais e Ruben Magalhães, assegurando o recrutamento, o seguimento clínico e a qualidade dos dados, bem como a articulação ética e logística com os serviços de oftalmologia pediátrica. A investigadora Carla Lança integra o consórcio como membro internacional, contribuindo para o desenho metodológico, a harmonização de procedimentos, a formação das equipas e a análise comparativa entre países, reforçando a transferência de boas práticas para o contexto português.

Saiba mais na OftalPro 69, brevemente disponível.

6 Outubro 2025
Estudos e InvestigaçãoOftalmologia

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