SPO “De Olho na Cultura” destaca Tomás de Aquino
Num artigo publicado no site da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia, intitulado “Tomás de Aquino ‘Visio Beatifica’, o ponto culminante da visão”, a médica oftalmologista Inês Leal explica que “a visio beatifica é o destino final do ser humano: ver Deus tal como Ele é, diretamente, sem mediação, comparação ou analogia”.
A visio beatifica — a visão direta de Deus na eternidade — é apresentada por Tomás de Aquino como o ponto culminante da existência humana. Nessa visão, não há mediação, comparação ou analogia: o intelecto é elevado pela lumen gloriae para reconhecer Deus tal como Ele é. Ver, nesse contexto, não significa apenas captar imagens, como fazemos no quotidiano; significa compreender plenamente, sem erro, sem fragmentação, sem distância. E porque o conhecimento, para Tomás de Aquino, está sempre unido ao amor, esta visão é também um movimento afetivo total: ao ver Deus, a alma ama-O com toda a sua potência. Assim, ver torna-se amar, e amar torna-se a plenitude da felicidade.
Este horizonte espiritual atribui ao olho um estatuto simbólico particular. O olho não é apenas um órgão sensorial. É a porta entre o mundo exterior e o mundo interior, entre aquilo que existe e aquilo que é reconhecido, interpretado, amado ou temido. A visão é o primeiro contacto com o outro e, muitas vezes, com o Mistério. Não surpreende, portanto, que ao longo da história, desde os vitrais góticos ao retrato renascentista, a cultura tenha usado a imagem da luz e da visão como metáfora de conhecimento, revelação e presença divina.
Neste contexto, a oftalmologia adquire um significado que ultrapassa o clínico. Tratar um olho é restaurar muito mais do que um sentido: é restituir horizonte, identidade e relação.
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5 Agosto 2026
Sociedade