SPO “De Olho na Cultura” destaca Camões
Num artigo publicado no site da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia, intitulado “Camões, a perda de um olho e a visão da modernidade”, a médica oftalmologista Cátia Azenha revela algumas curiosidades sobre “o maior poeta português”.
Luís Vaz de Camões (c. 1524–1580), considerado o Poeta Maior da língua portuguesa, conta, entre os vários episódios lendários da sua vida, que terá sofrido um acidente que condicionou a perda de visão de um dos olhos. Relata-se que a lesão foi causada por uma lança durante uma campanha militar em Ceuta, e que a partir daí Camões viveu com a marca visível dessa perda.
Apesar dos factos não estarem indubitavelmente esclarecidos, a imagem do “poeta de um olho só” foi-se consolidando e entrou definitivamente no imaginário coletivo e ganhou um peso cultural profundo. Em retratos atribuídos a Fernão Gomes, como o célebre Retrato a Vermelho, Camões surge representado com o olho direito cego.
Ao longo dos séculos, essa imagem de fragilidade física combinada com a do génio criador serviu como metáfora de sacrifício, de superação e de uma “visão” que, apesar da limitação física, permanecia imensa no plano poético. A cegueira parcial nunca apagou a sua capacidade criadora: Os Lusíadas, a sua obra máxima e símbolo da identidade literária e cultural portuguesa, foram escritos já depois desse episódio, prova que a visão interior de Camões superava a falta de visão física.
No século XVI, não existiam soluções médicas ou estéticas capazes de devolver a aparência natural de quem perdia um olho. A lesão ocular era uma marca visível e irremediável, frequentemente associada a um estigma social importante.
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23 Setembro 2026
Sociedade