Uveíte pesa na qualidade de vida visual, sugere estudo
Um trabalho realizado em Lisboa, entre janeiro e março de 2024, aponta para uma relação entre a uveíte e uma pior qualidade de vida visual, com reflexo nas rotinas diárias, na condução e no bem-estar psicossocial.
Foram avaliados 92 adultos, com média de 46 anos: 36 referiam ter uveíte e 56 não tinham a doença. Todos preencheram o questionário validado NEI VFQ-25, que mede a perceção da função visual, as limitações funcionais, a dor ocular e o impacto emocional e social.
Quem tinha uveíte revelou mais preocupação permanente com a visão e mais dor ocular, com maior proporção de dor intensa. Reportou ainda mais limitações em atividades como ler sinalização rodoviária, cozinhar ou encontrar objetos.
Na condução, 70% dos participantes com uveíte indicaram dificuldades durante o dia, contra 31,8% no grupo sem a doença. Também foram mais frequentes a frustração, o isolamento, a restrição de atividades e a dependência de outras pessoas.
Após ajuste para idade e sexo, algumas associações deixaram de ser estatisticamente significativas, o que sugere que fatores como o envelhecimento podem explicar parte dos resultados. Os autores sublinham o caráter exploratório dos dados e defendem uma abordagem multidisciplinar que una cuidados oftalmológicos, reabilitação visual e apoio psicossocial.
Estudo completo: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/42445819/
Foto de kuaileqie RE na Unsplash
5 Outubro 2026
Estudos e Investigação