SPO “De Olho na Cultura” recorda Pedro Hispano

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Pedro Julião Rebolo, mais conhecido como Pedro Hispano ou Papa João XXI, nasceu em Lisboa por volta de 1210-1220, filho de Julião Rebolo, médico e chanceler do reino, e de Teresa Gil. A escassez de registos precisos para a sua infância coloca o seu nascimento no limiar do que a documentação medieval permite confirmar, mas é seguro afirmar que sua formação foi intensa e precoce nas letras e nas ciências.

O legado médico de Pedro Hispano é amplo. Ele defendia que a Medicina assentava em duas colunas — ratio et experimentum —, isto é, razão e experiência. Entre as suas obras destacam-se tratados médicos e compilações destinadas a estudantes pobres ou praticantes sem formação académica, como o Thesaurus pauperum, cujo propósito era reunir “remédios fáceis e eficazes para quase todas as enfermidades”.

No campo da oftalmologia, merece destaque o Liber de morbis ocularum, bem como a atribuição de um colírio chamado aquae mirabilis, que teria sido usado para aliviar problemas oculares — inclusive por artistas renomados da época. Essas contribuições médicas tornaram-se referência nos currículos de universidades europeias dos séculos XIII e XIV.

Mais de cinquenta textos são ligados ao seu nome, entre tratados, comentários e compêndios, embora nem sempre com certeza da autoria. Entre as suas obras filosóficas está o Tractatus, ou Summular Logicales, que serviu como manual de lógica em diversas instituições de ensino ao longo dos séculos.

A figura de Pedro Hispano, relembrada pela Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO), representa uma síntese rara entre fé, filosofia e ciência. A sua herança intelectual continua a inspirar a prática médica contemporânea, lembrando-nos que, para tratar os olhos, é preciso compreender o ser humano na sua totalidade.

Fonte: SPO — Sociedade Portuguesa de Oftalmologia

13 Outubro 2025
Sociedade

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