Espaço Europeu de Dados de Saúde: impacto direto na investigação clínica
A implementação do Espaço Europeu de Dados de Saúde (EEDS) marca um passo decisivo na construção de um ecossistema europeu de saúde orientado por dados. Publicado em março de 2025, o regulamento será aplicado de forma faseada até 2031 e cria um enquadramento jurídico que permite a partilha segura, interoperável e transparente de dados de saúde entre Estados-Membros.
O EEDS assenta em dois pilares: a utilização primária, focada na prestação de cuidados e no reforço do controlo dos cidadãos sobre os seus dados, e a utilização secundária, que possibilita a reutilização de dados anonimizados e pseudonimizados para investigação, inovação e definição de políticas públicas. É neste segundo eixo que se concentram as principais oportunidades para a oftalmologia.
A partir de março de 2029, investigadores e instituições poderão aceder a um conjunto alargado de dados, incluindo registos clínicos eletrónicos e informação proveniente de dispositivos médicos, com extensão progressiva a outras categorias, como dados genómicos e de ensaios clínicos. Para uma especialidade fortemente dependente de exames imagiológicos e registos digitais, esta harmonização poderá acelerar estudos multicêntricos, melhorar o desenho metodológico da investigação e impulsionar a medicina personalizada.
O novo enquadramento deverá ainda favorecer o desenvolvimento de soluções de inteligência artificial aplicadas à imagiologia ocular, graças ao acesso a bases de dados mais amplas e diversificadas. Paralelamente, permitirá apoiar decisões de saúde pública baseadas em evidência, através da análise de tendências epidemiológicas e da avaliação de resultados em saúde.
Para a comunidade oftalmológica portuguesa, o EEDS representa uma oportunidade estratégica para reforçar a colaboração europeia, aumentar a competitividade científica e contribuir para cuidados mais eficazes e centrados no doente num contexto cada vez mais digital.
2 Março 2026
Estudos e Investigação