Terapia para Vasculopatia Polipoide em caucasianos mostra eficácia e segurança
Rufino Silva foi o coordenador do estudo recentemente publicado na Revista Ophthalmologica, que teve como principal objetivo “avaliar a eficácia e segurança do Aflibercept em «Treat and Extend» com e sem terapia fotodinâmica em doentes Caucasianos com Vasculopatia Polipoide”. O Estudo Atlantic contou com a participação de 17 Centros de Oftalmologia, 10 dos quais em Portugal. A OftalPro conversou com Rufino Silva para perceber as implicações desta investigação.
Em que consiste o estudo Atlantic?
O Atlantic é um estudo multicêntrico, randomizado, com dupla ocultação, fase IV, com grupo controlo, que avaliou a eficácia, a segurança e a tolerabilidade do Aflibercept intravítreo em regime “treat and extend” com e sem terapia fotodinâmica, em pacientes caucasianos com Vasculopatia Polipoide.
Qual o principal objetivo deste estudo?
O estudo teve como principal objetivo avaliar a eficácia e segurança do Afilbercept em “treat and extend” com e sem terapia fotodinâmica em doentes Caucasianos com Vasculopatia Polipoide. De facto, a maioria da informação clínica que tínhamos antes na Vasculopatia Polipoide resultava de estudos randomizados efetuados na população asiática. E a doença apresenta particularidades na população Caucasiana distintas da Asiática. Era por isso importante que se estudasse a doença e a resposta aos tratamentos na população Caucasiana.
Quais são as principais conclusões deste estudo?
O estudo permitiu concluir que a monoterapia com Aflibercept em “treat and extend é segura e eficaz no tratamento da Vasculopatia Polipoide em caucasianos. Permitiu também concluir que a terapia fotodinâmica não traz mais valia adicional ao tratamento destes doentes. De facto, após a dose de carga, apenas 42% dos doentes tiveram pólipos ativos e necessitaram, de acordo com o protocolo de TFD. Na avaliação final os doentes tratados com TFD não mostraram qualquer benefício, quer anatómico quer funcional, quando comparados com os que receberam tratamento “sham”.
O Atlantic permitiu ainda que se efetuasse uma avaliação fenotípica e genotípica na população Caucasiana e Asiática, num estudo conjunto com o grupo de Singapore Eye Research Institute. Na prática, as duas populações mostraram diferenças fenotípicas e genotípicas que podem eventualmente condicionar uma resposta diferente ao tratamento.
Que implicações pode ter este estudo no futuro?
Ficámos a conhecer a eficácia e segurança do tratamento da vasculopatia polipoide em caucasianos, com Aflibercept em “treat and extend” no primeiro ano. Ficámos a saber que adicionar a terapia fotodinâmica com Verteporfina ao tratamento (quando tratamos com Aflibercept em “treat and Extend”), não parece trazer benefício adicional. Ficámos também a saber que, após a “loading dose” de três injeções, mais de metade dos pólipos deixam de estar ativos e que muito poucos reativam. E ficámos a conhecer melhor quais são as características próprias da vasculopatia polipoide na população Caucasiana.
São conhecimentos de grande utilidade na prática clínica para o conhecimento desta doença e para a resposta ao tratamento no primeiro ano.
Entrevista completa na OftalPro 54.
20 Janeiro 2022
Entrevistas