“Esta indexação traduz-se numa exigência acrescida de consistência e rigor”
A indexação da Revista Oftalmologia, publicação oficial da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO), pela Elsevier marca um passo decisivo no seu percurso de internacionalização, consolidando normas editoriais, ética e qualidade metodológica. Além de ampliar o alcance de artigos para leitores globais por meio de bases como Scopus e Embase, o reconhecimento externo reforça a credibilidade da produção científica publicada pela SPO. Nesta entrevista, André Ferreira, editor da revista, detalha os requisitos cumpridos, as mudanças operacionais esperadas e as oportunidades futuras para autores e para a SPO.
O que representa, para a Revista Oftalmologia, a indexação na Elsevier?
Para a Revista Oftalmologia, a indexação na Elsevier permitirá o acesso num futuro próximo a base de dados geridas pela mesma, como a Embase e a Scopus, o que representa um reconhecimento externo da maturidade editorial e da qualidade científica do que publicamos. Na prática, significa que a revista passa a integrar circuitos internacionais de pesquisa bibliográfica usados diariamente por clínicos e investigadores, o que amplia a visibilidade e a credibilidade da produção científica que a revista acolhe.
Em termos práticos, como é que esta indexação muda o “dia a dia” da revista?
Esta indexação traduz-se numa exigência acrescida de consistência e rigor em todos os passos do processo editorial. Torna-se ainda mais importante cumprir de forma previsível a periodicidade, manter políticas editoriais e de ética claras e facilmente acessíveis, garantir a qualidade dos metadados (títulos, resumos, palavras-chave e afiliações) e reforçar a eficiência do fluxo de revisão por pares. Além disso, tende a aumentar o número e a diversidade de submissões, o que exige uma triagem inicial mais estruturada e uma rede de revisores ainda mais robusta.
Este era um objetivo estratégico assumido há muito tempo pela direção editorial?
Sim, este era um objetivo estratégico assumido há bastante tempo pela equipa editorial e pela Sociedade que ganhou mais ímpeto nos últimos 4-5 anos. A indexação foi sendo trabalhada como um percurso de consolidação das normas editoriais e de melhoria de processos e visibilidade, com o propósito claro de colocar a revista em bases internacionais de referência. É o culminar de um trabalho sustentado ao longo de vários anos por parte das equipas editoriais transatas, das quais destaco, naturalmente, a liderada pela Prof. Andreia Rosa, e das direções da SPO, com especial enfâse para as lideradas pela Prof. Rita Flores e pelo Prof. Pedro Menéres.
Que vantagens diretas traz esta indexação para os autores que publicam na Revista Oftalmologia?
Para os autores, a vantagem mais imediata é a visibilidade: os artigos ficam mais facilmente localizáveis por leitores fora de Portugal e integrados em pesquisas sistemáticas e revisões de literatura. Esse aumento de exposição tende a traduzir-se em maior probabilidade de leitura e, potencialmente, de citação. Adicionalmente, a presença na Scopus facilita o rastreio e a valorização bibliométrica da produção científica (citações e outros indicadores associados), o que pode ser relevante em percursos académicos, avaliações curriculares, candidaturas e relatórios de atividade científica.
Como é que a SPO, enquanto sociedade científica, beneficia deste reconhecimento internacional?
A SPO beneficia deste reconhecimento porque reforça a sua projeção como sociedade científica e valoriza o seu órgão oficial de divulgação científica. Uma revista indexada em bases internacionais aumenta a capacidade da oftalmologia portuguesa ser vista, comparada e citada fora do país, reforçando o posicionamento institucional da SPO e a capacidade de atrair colaborações, contributos e diálogo científico internacional.
Leia a entrevista completa na OftalPro 71.
Imagem: Esfera das Ideias
6 Julho 2026
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