Como comunicar uma má notícia em oftalmologia?

Imagem da notícia: Como comunicar uma má notícia em oftalmologia?

Falámos com alguns médicos oftalmologistas sobre a forma de comunicar más notícias. Hoje destacamos a opinião de Gil Calvão Santos.

OftalPro: Quais são as principais dificuldades que sentem quando têm de comunicar más notícias a um paciente?

Gil Calvão Santos: Uma má notícia é uma informação que é partilhada com os doentes e família sendo previsível que seja difícil de discutir e absorver. Muitas vezes, o médico tem dificuldade em dar más notícias por medo de magoar os doentes ou por haver conotações negativas relacionadas com o diagnóstico. No meu ponto de vista, a grande dificuldade prende-se com a necessidade de proteger o doente e preservar a esperança, ao mesmo tempo que se é honesto e se fornecem expectativas realistas. Surgem sempre muitas questões neste contexto que levam à auto-reflexão: comunicar ou não comunicar? comunicar toda a verdade ou apenas parte? o que comunicar? como comunicar? quando comunicar?

OF: E como é que se dá uma má notícia?

GCS: A maneira como a informação é partilhada com o doente pode afetar a sua saúde física e mental, a sua atitude em relação a uma possível recuperação, a sua motivação para aderir ao esquema terapêutico, bem como a sua relação com o médico. Há vários aspetos a ter em conta. Devemos começar por preparar os aspetos físicos: comunicar más notícias presencialmente e nunca por telefone, adotar uma postura relaxada e respeitar a privacidade do doente e família. Devemos descobrir o que o doente já sabe sobre o seu problema e as suas expectativas face ao impacto da doença e do futuro, mas também perceber o que ele quer saber, de modo a convidá-lo à partilha de informação. É importante completar a informação que o doente já conhece, fornecendo a informação por etapas com linguagem apropriada, percetível e positiva, tendo o cuidado de responder às emoções do doente. Por fim, não se deve descurar o planeamento do seguimento.

Saiba mais na OftalPro 33!

4 Maio 2016
Entrevistas

`

Notícias relacionadas

“O glaucoma pediátrico exige uma rede que vá muito além da clínica”

A Associação Nacional de Glaucoma Pediátrico (ANGP) apoia crianças com glaucoma pediátrico e as suas famílias, numa área ainda marcada por falta de informação e acompanhamento. Em entrevista à OftalPro, a presidente Dora Rolo destaca os principais desafios em Portugal, o papel da associação e a importância da colaboração com a comunidade médica.

Ler mais 25 Março 2026
EntrevistasOftalmologia

“Este projeto é uma mudança de paradigma completa”

A criação do primeiro Banco de Córneas de Cultura em Portugal permitiu à ULSSA mais do que duplicar o número de transplantes e reduzir drasticamente as listas de espera. Segundo Luís Oliveira, coordenador do programa de transplante de córnea, esta mudança de paradigma encurtou os tempos de espera, melhorou a qualidade dos tecidos disponíveis e abriu caminho à redução da dependência da importação de córneas.

Ler mais 19 Março 2026
Entrevistas