SPO “De Olho na Cultura” evoca Camilo Castelo Branco

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O escritor português do século XIX Camilo Castelo Branco, nascido em 1825 em Lisboa, destacou-se por uma vida literária intensa e por uma obra vasta, que o tornou um dos nomes mais relevantes da literatura de língua portuguesa.

A sua existência marcada por tragédias pessoais — entre elas a perda precoce dos pais — e por um temperamento inquieto, conduziu a episódios de boémia e a relações turbulentas no meio social e cultural da época.

A obra-primeira, entre outras, é Amor de Perdição, paradigma do ultra-romantismo, e retrata com espírito dramático o amor proibido e a fatalidade, inspirada em muitos aspetos de sua própria vivência.

Menos conhecida talvez é a história dos seus problemas de visão no final da vida: o autor foi acometido por cegueira progressiva, consequência da sífilis, que o impediu de ler, escrever e trabalhar.

A 21 de maio de 1890, escreveu ao oftalmologista Dr. Eduardo Magalhães Machado a relatar o seu estado. A 1 de junho desse ano, após exame médico, foi-lhe sugerido descanso em termas; momentos depois, em sua casa, e já sem esperança, tirou a própria vida.

Este texto sobre Camilo Castelo Branco, segundo Walter Rodrigues, “vem assinalar os 200 anos da sua morte e chamar a atenção de uma doença que não se sabe quando surgiu, podendo ter sido já conhecida por Hipócrates na antiga Grécia. Embora a Sífilis seja tratável, surtos continuam a ocorrer devido à falta de acesso ao diagnóstico e ao tratamento em algumas regiões, além das mudanças nos comportamentos sexuais”.

E acrescenta: “O rastreamento, a educação sexual e os esforços de saúde pública desempenham um papel crucial na redução e incidência global”.

A história da sífilis, associada ao seu caso, remete para uma doença que atravessou séculos e que hoje continua a exigir vigilância — com diagnóstico, tratamento e educação em saúde como pilares fundamentais. Na oftalmologia atual, os oftalmologistas recordam que a visão não depende apenas dos olhos, mas de fatores sistémicos, sociais e culturais.

Fonte: SPO — Sociedade Portuguesa de Oftalmologia

31 Outubro 2025
Sociedade

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