SPO “De Olho na Cultura” aborda história da toxina botulínica

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No artigo publicado no site da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO), a oftalmologista Cátia Azenha relembra como uma das toxinas mais perigosas conhecidas — a botulínica — passou de causa de graves intoxicações alimentares a ferramenta essencial na medicina e estética. A oftalmologista destaca que o percurso começou no século XIX, quando o médico alemão Justinus Kerner investigou casos de botulismo relacionados a salsichas contaminadas e vislumbrou o seu potencial terapêutico se utilizada em doses controladas.

Décadas depois, em 1960 e 1970, o oftalmologista Alan Scott iniciou os primeiros estudos ao injetar toxina botulínica em músculos oculares para tratar o estrabismo, abrindo caminho para o uso médico seguro da substância. O sucesso culminou com a aprovação pela FDA em 1989, inicialmente para o tratamento do estrabismo e blefarospasmo.

A partir dos anos 2000, o uso da toxina expandiu-se para a medicina estética. Em 2002, o tratamento das rugas da glabela recebeu aprovação nos EUA, impulsionando a popularização global do procedimento. Hoje, explica a médica, a toxina é utilizada também em casos de hiperidrose, enxaqueca crónica, distonias e espasticidade.

Segundo Cátia Azenha, a evolução da toxina botulínica é símbolo da transformação da medicina contemporânea: “A trajetória da toxina botulínica reflete a evolução da medicina, onde uma substância inicialmente temida se transforma numa arma terapêutica de grande valor”, sublinha. A oftalmologia, acrescenta, mantém um papel pioneiro nesta história, mostrando como descobertas clínicas podem ultrapassar fronteiras e influenciar inclusive os padrões culturais de beleza.

Fonte: Sociedade Portuguesa de Oftalmologia

24 Fevereiro 2026
Sociedade

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