Novo teste visual melhora rastreio precoce em crianças pequenas

Imagem da notícia: Novo teste visual melhora rastreio precoce em crianças pequenas

Um novo teste de avaliação da visão, concebido com tarefas adequadas ao desenvolvimento cognitivo, promete revolucionar o diagnóstico precoce de problemas visuais em crianças a partir dos 18 meses, permitindo intervenções mais eficazes numa fase crítica do desenvolvimento. 

A deteção precoce de alterações visuais na primeira infância continua a ser um desafio clínico. As crianças com menos de três anos têm dificuldade em realizar os testes convencionais utilizados em idades mais avançadas, o que limita a capacidade de identificar problemas visuais numa fase determinante para o desenvolvimento visual, cognitivo e motor.  

Para responder a esta lacuna, investigadores da School of Optometry & Vision Science da Universidade de Waterloo desenvolveram o Waterloo Differential Acuity Test (WatDAT), um novo método de avaliação da acuidade visual especificamente adaptado a bebés e crianças pequenas. 

Segundo a professora emérita Susan Leat, investigadora principal do estudo, estes problemas passam frequentemente despercebidos: “As alterações visuais nem sempre são evidentes através da observação do comportamento da criança. Além disso, as próprias crianças não se queixam, porque não sabem o que é ver bem”. A investigadora sublinha que a disponibilização do WatDAT em contexto clínico poderá permitir diagnósticos mais precoces e tratamentos mais eficazes. 

Atualmente, a avaliação visual em bebés baseia-se sobretudo na observação de movimentos oculares e na preferência por padrões visuais, como cartões com riscas. Embora útil, este método apenas confirma se a criança deteta o padrão, não avaliando o nível de detalhe visual percebido. Em crianças a partir dos três anos, recorrem-se a testes de nomeação ou correspondência de imagens, mas estas tarefas revelam-se demasiado exigentes para idades inferiores. 

O WatDAT propõe uma abordagem mais simples do ponto de vista cognitivo. A criança observa quatro figuras, sendo três iguais e uma diferente — por exemplo, uma casa entre três círculos — e é convidada a apontar a figura distinta. O tamanho das imagens vai sendo progressivamente reduzido até a criança deixar de conseguir identificar a diferença. Este formato permite medir a acuidade visual de forma precisa e fiável. 

Os resultados do estudo demonstram que a maioria das crianças a partir dos 18 meses consegue realizar o teste, sendo que todas as crianças com 24 meses ou mais, com desenvolvimento dentro dos parâmetros esperados, completaram o teste com ambos os olhos. Comparativamente a outros testes pediátricos atualmente utilizados, o WatDAT apresentou maior taxa de sucesso em idades mais jovens, sem aumento do tempo de aplicação. 

Saiba mais na nova edição da OftalPro.

23 Fevereiro 2026
Estudos e Investigação

`

Notícias relacionadas

Uveíte pesa na qualidade de vida visual, sugere estudo

Um trabalho realizado em Lisboa, entre janeiro e março de 2024, aponta para uma relação entre a uveíte e uma pior qualidade de vida visual, com reflexo nas rotinas diárias, na condução e no bem-estar psicossocial.

Ler mais 5 Outubro 2026
Estudos e Investigação

Nutrição e glaucoma: evidência para a prática clínica

Um dos estudos mais robustos nesta área foi conduzido por Kang et al., numa análise prospetiva de 25 anos baseada no Nurses’ Health Study e no Health Professionals Follow-Up Study. A investigação incluiu mais de 100 mil participantes sem diagnóstico inicial de glaucoma, todos com idade superior a 40 anos e seguimento oftalmológico regular.  

Ler mais 2 Outubro 2026
Estudos e Investigação