“É sempre um desafio responder a necessidades crescentes da Oftalmologia”

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Dirige atualmente o serviço de oftalmologia de um dos maiores hospitais nacionais. Como avalia a resposta neste domínio nos últimos anos?

É sempre um desafio responder a necessidades crescentes nas necessidades da Oftalmologia, onde só o aumento da esperança de vida trouxe enorme subida de necessidades. Também em Portugal, temos dois programas de rastreio para duas doenças muito importantes que são a retinopatia diabética e a ambliopia. Do ponto de vista teórico, isto já está bem estruturado, mas falta na prática uma cobertura nacional para estes rastreios de forma eficaz. Com esta última transição, para o modelo das ULS, decorreram alguns problemas no incremento da cobertura e do assegurar destes programas. Apesar de serem normas da DGS, não estão neste momento com cumprimento e cobertura universal, portanto é necessário chamar a atenção das autoridades para este facto. Não basta o Ministério da Saúde e a DGS terem estas normas, temos de voltar a insistir para que suba a sua efetividade no terreno. Com o crescimento da população no nosso país nos últimos três anos, nota-se nos serviços públicos uma procura crescente, quer nos cuidados básicos, quer nos cuidados diferenciados da oftalmologia. No nosso caso, verificamos um incremento muito significativo do volume de procura para consultas externas, que depois se repercute em necessidades de tratamentos e cirurgias. Um nível muito alto de procura de consultas externas faz subir no setor público os tempos de espera acima do que está previsto como ideal.

Entre desafios e oportunidades, que caminho segue a oftalmologia em Portugal?

Com esta digitalização da sociedade, há efetivamente maiores desafios do ponto de vista individual. Existe um investimento em literacia e, por isso, maior conhecimento da sociedade que a faz procurar tratar patologias e, portanto, conseguimos em muitos casos não ter situações tão avançadas como tínhamos anteriormente. Em termos públicos, há dificuldades em responder a toda a procura, mas são sistemas que são complementares com o sistema social e o sistema privado, que, no fundo, têm hoje ferramentas mais evoluídas do que anteriormente…

A entrevista exclusiva a Pedro Menéres faz parte da revista OftalPro 67.

10 Abril 2025
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