Alergocrom: a nova arma no tratamento e prevenção da conjuntivite alérgica
Artigo da autoria de Paulo Guerra, Assistente Graduado de Oftalmologia do Hospital Santa Maria; Responsável pelo Gabinete de Córnea, Superfície Ocular Externa e Transplantação do Hospital Santa Maria; Responsável pelo Banco de Olhos do Hospital Santa Maria; Assistente da Faculdade de Medicina de Lisboa; Médico Oftalmologista no Hospital da Luz Lisboa, Instituto de Microcirurgia Ocular e Centro Cirúrgico de Carcavelos (Joaquim Chaves Saúde).
Quais os tipos de conjuntivite alérgica?
A conjuntivite alérgica é tipicamente dividida em cinco tipos: conjuntivite sazonal, perene, queratoconjuntivite vernal, atópica e conjuntivite papilar gigante (esta última não parece ter associação com alergia), constituindo as duas primeiras entidades cerca de 98% da doença ocular alérgica. A conjuntivite alérgica sazonal (a mais comum) tem preponderância na primavera/verão sendo o alergénio mais frequente o pólen e na conjuntivite perene o mais comum é a exposição a ácaros e pelos de animais.
A queratoconjuntivite vernal surge geralmente no sexo masculino entre os cinco e os 15 anos e é geralmente mais grave, podem desenvolver-se alterações corneanas graves, como erosões epiteliais superiores e úlceras não infeciosas em “escudo” que diminuem a visão. A queratoconjuntivite atópica tem um pico de incidência entre os 30-50 anos, sendo que 5% têm antecedentes de QCV. É comum a associação com dermatite atópica. As manifestações clínicas são menos intermitentes e mais graves do que na QCV.
Como se trata a conjuntivite alérgica?
O tratamento de todas as alergias e, como tal, também da conjuntivite alérgica passa em primeiro lugar por evitar ou limitar o contacto com o alergénio. No entanto, é necessário identificar o mesmo e o médico imunoalergologista tem um papel central neste âmbito. É também frequente o recurso a imunoterapia para dessensibilização do sistema imunitário o que consiste na exposição gradual a doses crescentes do alergénio para melhorar a tolerância do organismo aos mesmos, reduzindo os sintomas e a necessidade de tratamento.
Medidas preventivas adicionais, incluem a higiene diária das pálpebras com toalhitas apropriadas (ex: Posiforlid toalhitas), a aplicação de compressas frias e evitar coçar os olhos. A utilização de lubrificantes oculares/lágrimas artificiais sem conservantes ou fosfatos e de forma frequente, como por exemplo o Hylo Dual Intense (ácido hialurónico 0,2% + ectoina) podem permitir um alívio rápido dos sintomas, a diluição e remoção mecânica de alergénios e mediadores inflamatórios da superfície ocular e uma melhoria do quadro clínico.
Se estas medidas mais gerais não forem suficientes, a escolha do tratamento subsequente é determinada pela gravidade da sintomatologia e inflamação da superfície ocular e engloba: terapêutica tópica com estabilizadores de mastócitos, anti-histamínicos, anti-inflamatórios não esteroides, corticosteroides, inibidores da calcineurina – ciclosporina/tacrolimus e adicionalmente, terapêutica sistémica com anti histamínicos orais e/ou imunossupressores nos casos mais graves.
O colírio Alergocrom é uma solução oftálmica a 2% (20 mg/mL) de cromoglicato de sódio, sem conservantes ou fosfatos. É indicado para o tratamento preventivo dos sintomas de conjuntivite alérgica sazonal e perene.
Mecanismo de Ação: O cromoglicato de sódio possui propriedades antialérgicas ao nível da mucosa conjuntival. Atua como um estabilizador da membrana celular dos mastócitos, inibindo a desgranulação destas células e, consequentemente, impedindo a libertação de histamina e outros mediadores químicos responsáveis pelas reações alérgicas.
Posologia e Eficácia: A posologia indicada é de uma gota, quatro vezes ao dia, no fundo de saco conjuntival. A eficácia do tratamento depende da sua utilização continuada enquanto houver exposição ao alergénio, pois a sua ação é profilática e não de alívio imediato dos sintomas agudos. Vários estudos demonstram a sua eficácia na redução da frequência e gravidade dos sintomas e sinais da conjuntivite alérgica
Perfil de Segurança: O cromoglicato de sódio é pouco absorvido sistemicamente, o que contribui para um bom perfil de segurança. É indicado para adultos e crianças sem limite de idade e a sua utilização deve ser mantida após a melhoria dos sintomas. Pode ser utilizado até três meses após abertura.
Em resumo, o colírio Alergocrom é um pilar no tratamento preventivo da conjuntivite alérgica, atuando de forma eficaz e persistente na resposta alérgica ao impedir a libertação de histamina pelos mastócitos, associado a um excelente perfil de segurança.
Leia o artigo completo na OftalPro 70.
23 Março 2026
Opinião