“A oftalmologia angolana é emergente”

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Rosa Salvaterra é médica oftalmologista em Luanda. Em entrevista, falou-nos do estado da profissão em Angola, assim como das patologias visuais mais frequentes neste país.

OftalPro: Conhece o sector português da oftalmologia /ótica? Que diferenças encontra em relação ao angolano?
Rosa Salvaterra: Conheço pouco, mas posso afirmar que a oftalmologia portuguesa tem um nível de excelência. A oftalmologia angolana é emergente e com uma marcante escassez de quadros especializados.

OF: Quais são os problemas de visão mais comuns em Angola/África?
RS: Os principais problemas e os mais comuns em Angola são os defeitos de refração, as infeções, a catarata e o glaucoma. Nos últimos anos temos assistido a um aumento da patologia traumática, devido ao índice elevado da sinistralidade rodoviária, e da retinopatia diabética. A nossa situação enquadra-se na realidade da África subsahariana.

OF: Pode adiantar alguns dados deste país africano, mais especificamente Angola, relativamente ao número de população e ao número de oftalmologistas?
RS: Há poucos dias, numa sessão institucional, fiz a abordagem desta relação, para ilustrar a dificuldade de aliar quantidade versus qualidade. Segundo dados do censo populacional (2016), Angola possui aproximadamente mais de 25 milhões de habitantes. Até à data presente, o país conta com cerca de 30 médicos oftalmologistas. A assistência médica nesta área conta com a cooperação estrangeira, fundamentalmente cubana. Destacamos que, de acordo com os padrões da OMS, deverá haver uma equipa (5 elementos) para uma população de 100.000 a 1.000.000 de pessoas – a “nível distrital”. Por outro lado, é preciso referir que a oftalmologia é uma especialidade instrumental e, muitas vezes, está o médico mas falta o equipamento e a tutoria para o treinamento, particularmente na área cirúrgica. Sabemos todos que as técnicas cirúrgicas e os equipamentos em oftalmologia estão em constante evolução e o profissional terá que manter um programa permanente de superação.

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6 Abril 2018
Entrevistas

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